Minery no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo

Por Eduardo Gama, CEO e Cofundador da Minery

New Generation Leardeship
New Generation Leardeship

Estive no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF) que aconteceu no início de Junho, na Rússia. O evento, que é o maior desse caráter realizado em seu país de origem, é considerado uma espécie de Conferência de Davos. Por isso, o encontro contou com a presença do presidente russo, Vladimir Putin, além de lideranças políticas e empresariais preocupadas em discutir os destinos da economia mundial.

A Minery foi convidada a apresentar sua proposta de solução para problemas de ESG — Ambiental, Social e Governança, em português — a convite da comissão do programa New Generation Leardeship que tem, entre seus objetivos, promover jovens líderes de 25 a 35 anos de diversas partes do planeta. Muitos dos participantes são de nações onde o desenvolvimento econômico está progredindo rapidamente, como ocorre no Oriente Médio e na África, além dos países do leste europeu que estão intimamente ligados à Rússia.

Todo o programa, que reuniu por volta de 40 líderes de 30 países, promoveu debates variados, desde negócios, passando por temas de alcance internacional até discussões em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs).

As alternativas propostas por líderes de outros países para seus próprios dilemas, partindo sempre das peculiaridades de suas experiências, têm muito a ensinar. Como a Minery está focada não apenas no Brasil, mas também em um plano de internacionalização, conduzimos várias entrevistas para realizar uma pesquisa de mercado com empreendedores de localidades estratégicas.

Foi possível perceber que a tecnologia também tem sido vetor de mudanças drásticas em países subdesenvolvidos, mesmo diante de obstáculos como a falta de internet em algumas regiões. Startups que conseguem realizar transações bancárias através de SMS, por exemplo, mostram que, com criatividade, é possível democratizar o acesso a serviços financeiros digitais.

Essas experiências provam que é factível levar a cabo novos processos de transformação por meio da tecnologia para mercados como a mineração que operam, majoritariamente, em regiões com pouca conectividade. As barreiras são vencidas pela necessidade de inovar e de melhorar processos ineficientes que impedem o progresso.

Durante o evento também observamos que a tendência dos veículos elétricos tornou-se definitiva. Praticamente todos os lançamentos da Mercedes, um dos maiores patrocinadores do evento, eram híbridos ou elétricos.

Estande Mercedes-EQ

O Sberbank, maior banco do leste europeu, também marcou presença ao mostrar diversos investimentos realizados na mobilidade elétrica, como carros elétricos autônomos focados em competir com soluções como a Uber e um novo formato de metrô elétrico com alta tecnologia embarcada.

Veículo elétrico do Sberbank

Investimentos de grandes bancos em mobilidade urbana não são novidade e já foram feitos no país. O Itaú, por exemplo, impulsiona uma ampla malha de bicicletas compartilhadas em cidades do Brasil e da América Latina por meio da startup Tembici.

Ao lado de tantas inovações, também ocorreram painéis que levantaram questões importantes, como o futuro das matrizes elétricas. Países como o Uzbequistão, por exemplo, recentemente passaram a investir em fontes renováveis de energia devido às pressões internacionais pelo fim das usinas termelétricas a base de petróleo e gás e que ainda são muito usadas na região.

Os motores elétricos são as estrelas dessa revolução. Porém, não podemos deixar de levar em consideração as implicações irrealistas da conversão dos combustíveis fósseis. Questionamentos surgiram durante os painéis sobre como o mundo pretende sustentar a produção de tantas baterias que, atualmente, são ineficientes. Metais como o cobalto, níquel, lítio e tantos outros enfrentarão uma escassez perante a crescente demanda desses materiais.

O Bascortostão focou seu estande em demonstrar os potenciais minerais do país, principalmente na produção de metais utilizados em veículos elétricos. Isto mostra que, através do incentivo à pesquisa e mineração de novos depósitos, países em desenvolvimento podem assumir posições mais relevantes na economia mundial.

Estande do Bascortostão com foco em mineração

Durante um dos painéis destinados ao programa de jovens líderes, tive a oportunidade de apresentar a Minery e contar como nossa metodologia de certificação pode impactar positivamente a mineração no Brasil e no mundo. Após a apresentação, conversamos com representantes de países africanos presentes que se identificaram com os problemas expostos, o que mostra que a certificação executada por aqui também faz sentido em outros lugares.

O SPIEF 2021 foi um evento de reflexão, além de ter sido o primeiro realizado presencialmente após as fases mais críticas da pandemia. Ali vimos sinais de uma sociedade mais preocupada com problemas que são agrupados na sigla da vez: ESG. Mineração espacial, redução da emissão de gás carbônico, discussões sobre inclusão e diversidade no maior estande do evento, patrocinado pelo Catar, um país mulçumano, deixa claro que o mundo vem exercendo um novo olhar após viver a experiência da pandemia. Tudo isso fez com que saíssemos de lá fortes, conectados e mais globalizados do que nunca.

Viemos para desafiar o sistema. Nascemos com o propósito de transformar o mercado de mineração global.

Viemos para desafiar o sistema. Nascemos com o propósito de transformar o mercado de mineração global.