Precisamos falar sobre mulheres na mineração

Todos os dias 8 do terceiro mês do ano comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Como é de praxe, mal começa março e todas as mídias são alimentadas com uma intensa discussão sobre o tema. Mais do que celebrar, esse é um momento para fazer uma importante reflexão — algo cada vez mais necessário quando o assunto é a indústria da mineração.

Criar políticas para a promoção da igualdade de gênero é fundamental para a modernização do setor. Ao longo dos últimos anos, em todo o mundo, é crescente a atenção sobre questões de segurança operacional. Não é coincidência que essa preocupação more ao lado do aumento da responsabilidade social e do compromisso com o fomento à diversidade nas empresas, incrementando a formulação de planos e revisões de modelos de gestão corporativa. Porém, ao se analisar a situação do Brasil, a realidade é mais complexa.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres correspondem a quase metade da força de trabalho por aqui. No entanto, figuramos na 92º posição entre 153 países no cálculo da média global para a eliminação da desigualdade econômica de gênero. No ritmo atual, levaríamos 99 anos e meio para conquistar equidade entre homens e mulheres, segundo dados do Fórum Econômico Global (WEF).

A tendência é que fiquemos muito para trás se continuarmos nesse passo de tartaruga. Combater a desigualdade é a base para a elevação de dois indicadores importantes para alavancar a performance: a rentabilidade e a geração de valor agregado. Estima-se que a diferença de lucratividade entre empresas que funcionam sob os antigos padrões e as que promovem igualdade de gênero pode ser de até 21% e, de 27%, quando é considerado o fator reputacional.

Por outro lado, a mineração está entre os setores com menor representatividade feminina, abaixo da média em comparação a outros segmentos da indústria. Temos notado, felizmente, o crescimento de iniciativas que apontam para a superação desse entrave: projetos como o Women Mining, além da publicação periódica de planos e relatórios de instituições nacionais como o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), estão provocando uma importante mudança de mentalidade.

Transformações desse tipo em geral estão relacionadas ao avanço de tecnologias em um esforço coordenado de atualização. Novas plataformas têm ido além do seu caráter utilitário e sido verdadeiras catalisadoras de mudanças culturais imprescindíveis para o surgimento de novas estratégias de mercado. É tempo de reconhecer que falta muito para que a mineração seja a vanguarda desse processo.

Por isso, a Minery já nasceu sendo metade das mulheres. Essa composição democrática poderia ter surgido de forma “natural”, não fosse pela permanente necessidade de se reconhecer que a presença delas é condição para a formatação de uma empresa disruptiva e completamente aberta à inovação. Fomos surpreendidos — homens e mulheres — pelo potencial de ambientes paritários de trabalho.

Temos, no nosso país, um capital humano incomparável na construção de novos parâmetros para a mineração. Muitos deles têm sido formulados por mulheres, em um esforço para que se tenha um olhar mais abrangente sobre o desenvolvimento da mineração.

Essa nova visão é o componente de cada nova tecnologia. Ela nos aproxima de valores de respeito à vida e nos torna mais sensíveis às questões humanas, especialmente no que diz respeito às comunidades afetadas pela extração de minério. Precisamos absorver essas ideias e termos essa conversa o ano inteiro, sem medo do futuro.

Viemos para desafiar o sistema. Nascemos com o propósito de transformar o mercado de mineração global.

Viemos para desafiar o sistema. Nascemos com o propósito de transformar o mercado de mineração global.